PDF: O que há de errado com o mundo

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O QUE HÁ DE ERRADO COM O MUNDO é um livro escrito por G. K. Chesterton e traduzido pela ilustre Luíza Monteiro De Castro Silva Dutra para tupiniquim português do Brasil; que não é um idioma mas uma conveniência linguística para o público brasileiro.

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Descrição

O QUE HÁ DE ERRADO COM O MUNDO é um livro escrito por G. K. Chesterton e traduzido por Luíza Monteiro De Castro Silva Dutra para tupiniquim português do Brasil; que não é um idioma mas uma conveniência linguística para o público brasileiro.

Sobre a obra

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“Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível.”

SUMÁRIO

  • Capa
  • Folha de Rosto
  • Prefácio à edição brasileira
    • Contra o senso comum
    • Selecionar e rejeitar
  • Epígrafe
  • Dedicatória a C. F. G. Masterman, M.P.
  • Parte I – O desabrigo do homem
    • 1. O erro médico
    • 2. Procura-se: homem não prático
    • 3. O novo hipócrita
    • 4. O medo do passado
    • 5. O templo inacabado
    • 6. Os inimigos da propriedade
    • 7. A família livre
    • 8. A selvageria da domesticidade
    • 9. A história de Hudge e Gudge
    • 10. A opressão pelo otimismo
    • 11. O desabrigo de Jones
  • Parte II – O imperialismo ou o erro acerca do homem
    • 1. O encanto do Jingoísmo
    • 2. A sabedoria e o tempo
    • 3. A visão comum
    • 4. A louca necessidade
  • Parte III – O feminismo ou o erro em relação à mulher
    • 1. A sufragista amilitar
    • 2. O bastão universal
    • 3. A emancipação da domesticidade
    • 4. O romance da parcimônia
    • 5. A frieza de Cloé
    • 6. O pedante e o selvagem
    • 7. A moderna rendição da mulher
    • 8. A marca da flor-de-lis
    • 9. Sinceridade e forca
    • 10. A anarquia suprema
    • 11. A rainha e as sufragistas
    • 12. A escrava moderna
  • Parte IV – A educação ou o erro em relação à criança
    • 1. O calvinismo de hoje
    • 2. O terror tribal
    • 3. Os embustes do meio
    • 4. A verdade sobre a educação
    • 5. Um brado perverso
    • 6. Autoridade, a inevitável
    • 7. A humildade da senhora Grundy
    • 8. O arco-íris partido
    • 9. A necessidade de minuciosidade
    • 10. O caso das escolas públicas
    • 11. A escola para hipócritas
    • 12. A rancidez das novas escolas
    • 13. O pai banido
    • 14. Insensatez e educação da mulher
  • Parte V – O lar do homem
    • 1. O império do inseto
    • 2. A falácia do bengaleiro
    • 3. O terrível dever de Gudge
    • 4. Uma dúvida
    • Conclusão
  • Três notas
    • 1. Sobre o voto feminino
    • 2. Sobre o asseio na educação
    • 3. Sobre a propriedade do camponês
  • Créditos

O QUE FALTA AO NOSSO TEMPO

Rodrigo Gurgel

Quando Gilbert Keith Chesterton publicou, em 1910, O que há de errado com o mundo, talvez não imaginasse que demoraria mais de uma década para se converter à Igreja Católica Apostólica Romana. Há incrível distância, portanto, entre suas ideias – ele publicara Hereges em 1905 e Ortodoxia em 1908 – e a decisão que o transformou num dos mais respeitáveis convertidos do século XX. Mas distância, neste caso, não significa incoerência. Ao contrário, a vida de Chesterton foi – até seu batizado, a 30 de julho de 1922, no simples salão de baile do Railway Hotel, em Beaconsfield, transformado provisoriamente numa capela, pois a cidade não dispunha de templo católico – um exemplo, segundo Joseph Pearce1, de “catolicismo latente”.

Assim, se voltarmos às circunstâncias pessoais em que surge O que há de errado com o mundo, não causa surpresa o bem-humorado epitáfio composto pelo escritor Edward Verrall Lucas em 1910, de maneira a sintetizar a personalidade famosa por seu “dogmatismo”:

O pobre Chesterton morreu; Deus, por fim, a verdade conheceu.

Nosso escritor, entretanto, estava distante de ser um crédulo exagerado ou o cego defensor de uma doutrina religiosa. Ao contrário, o que acalentava no coração era demonstrado na singeleza dos desenhos oferecidos centenas de vezes a crianças, nos quais retratava seus respectivos santos patronos; ou na transcendência de influenciar amigos e conhecidos – como fez em relação ao poeta, historiador e crítico literário Theodore Maynard, cuja conversão ocorreu logo depois de ler Ortodoxia; ou, ainda, numa desconfortável dose de angústia, fartamente demonstrada em suas biografias.

Um exemplo revelador da fé de Chesterton dá-se em janeiro de 1909, quando, depois de aceitar o convite da modernista e marxista Church Socialist Quarterly, publica nesse periódico o artigo “O sentimentalismo, a cabeça e o coração”, no qual contrapõe sua visão tradicionalista às ideias que já haviam sido condenadas por Pio X, em 1907, na famosa
encíclica Pascendi Dominici Grecis. Usando de sua excepcional qualidade para trabalhar com metáforas, Chesterton cria a famosa filosofia da árvore e da nuvem:

[…] A árvore vai crescendo e, dessa forma, mudando, mas o que se modifica é apenas o cerco que rodeia uma parte imutável. Os anéis situados no centro continuam sendo os mesmos de quando era um broto. Deixaram de ser vistos, mas não deixaram de ser centrais. Quando nasce um ramo na parte superior de uma árvore, ele não se desprende de suas raízes, antes, ao contrário, quanto mais alto se elevam os ramos, com mais força a árvore terá de se prender às suas raízes. Este é o verdadeiro conceito do que deve ser o progresso sadio e vigoroso do homem, das cidades, ou de toda uma espécie. Mas quando os progressistas a que estou aludindo falam de evolução, não se referem a isto. Eles não desejam que mude a parte externa de um centro orgânico e permanente, como numa árvore; objetivam a modificação total e absoluta de cada parte a cada minuto, como a transformação que sofrem as nuvens.

Mas se adotarmos como filosofia uma evolução similar à das nuvens, ou seja, uma evolução de algo que não tem esqueleto, não haveria lugar, então, para o passado e a civilização estaria incompleta; o que hoje existe pode desaparecer amanhã, inclusive amanhã mesmo. Pois bem, eu não creio nesse progresso perpétuo que acarreta apenas um caos perpétuo; creio na evolução orgânica, ordenada e de acordo com o projeto e a natureza de cada coisa. Penso, por conseguinte, que não pode evoluir a civilização que não esteja razoavelmente completa, e a nossa,
tão científica, avançada e progressista, está irracionalmente incompleta.

Para termos uma ideia da repercussão desse artigo, seria o mesmo que, mutatis mutandis, certo autor publicasse texto semelhante numa revista dirigida, atualmente, pela Teologia da Libertação. O que só poderia acontecer, convenhamos, graças a um tremendo descuido do
editor…

O artigo de Chesterton recebeu virulenta resposta do esquerdista Robert Dell, um tipo especial de católico, muito comum nos dias de hoje, cujo esforço foi o de provar que “o despertar da consciência social e a difusão do sentimento de compaixão não eram conquistas da Igreja, mas, sim, da Revolução Francesa”, que a “Igreja Católica era a principal força reacionária em todos os países da Europa” e, finalmente, depois de atacar Pio X, que a “Igreja papista” deveria ser destruída.

Antes que Dell abandonasse o catolicismo – para transformar-se em agnóstico e revolucionário socialista –, coube ao anglicano Chesterton defender Roma. Na tréplica “A podridão do modernismo”, nosso escritor afirma, dentre outras verdades: “O dogma da Igreja limita o pensamento da mesma maneira que o axioma de Euclides sobre o sistema solar limita a ciência física: não detém o pensamento, mas lhe proporciona uma base fértil e um estímulo constante”. Resposta que o trocista Edward Verrall Lucas certamente não leu.

Chesterton mantinha, de forma repetida, essas polêmicas. No mês dessa resposta a Dell, pediram-lhe também a contestação, no Hibbert Journal, de um artigo assinado por certo “Mr. Roberts”. O texto negava a divindade de Jesus Cristo – e Chesterton optou por replicar com sua característica ironia, dizendo, logo no início, que o título do artigo – “Jesus ou Cristo?” – o atingia como se estivesse lendo algo semelhante a “Napoleão ou Bonaparte?”.

Chesterton aproveitaria sua experiência nesses debates para escrever A esfera e a cruz, publicado no final de 1909. Com deliciosas pinceladas de nonsense e humor, a novela apresenta dois protagonistas, um católico e um ateu. Eles passam a história tentando realizar seu duelo intelectual – a respeito das verdades do cristianismo –, sempre interrompidos pela polícia, que os considera perigosos à ordem pública. De fuga em fuga, os dois acabam por se tornar amigos num cenário semelhante ao Juízo Final. Uma história que, somada ao clássico de Cervantes, com certeza inspirou Graham Greene a escrever Monsenhor Quixote.

Incansável polígrafo, em maio de 1910 Chesterton publicaria novo artigo, no Daily News – uma aula de teologia e estilística:

Não utilizem um substantivo e depois um adjetivo que contradiga o substantivo. O adjetivo qualifica, não contradiz. Não digam “deem-me um patriotismo livre de fronteiras”, porque é como se dissessem “deem-me um pastel de carne sem carne”. Não digam “anseio por uma religião mais ampla, na qual não existam dogmas especiais”, porque seria como dizer “quero um quadrúpede maior que não tenha patas”. Quadrúpede significa algo com quatro patas e religião significa aquilo que compromete o homem com uma doutrina universal. Não deixem que o dócil substantivo seja assassinado por um adjetivo exuberante e jubiloso…

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